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..........A sede do Executivo Municipal da Barra do Quaraí foi designada pela Lei Municipal nº 328/99, de 10/11/1999, constando de proposição legislativa apresentada pelo Vereador José Leão Repiso Riela, passando a denominar-se “Palácio Embaixador João Baptista Lusardo”, em homenagem a um dos mais ilustres cidadãos com profundas raízes na história de nosso município, cujos principais aspectos biográficos apresentamos a seguir:
..........JOÃO BAPTISTA LUSARDO nasceu em Uruguaiana, no Passo da Cruz (localidade que hoje constitui o 3º Distrito do Município da Barra do Quaraí), em 11 de dezembro de 1891, filho de Severo Lusardo e Margarida Apesteguy Lusardo. Teve quatro irmãos: Luísa, Joana, Alice e Aurora, sendo neto de Simão Lusardo e Marica Lusardo. De seu casamento com D. Adelaide nasceram três filhos: João Aloísio, Luís Alberto e Cleonice.
..........Em 1913, parte para o Rio de Janeiro, com a finalidade de cursar a Faculdade de Medicina e a de Direito.
..........Formado em Medicina (1916) e em Direito (1918), pela Faculdade do Rio de Janeiro sendo que, entre 1918 e 1920, dirigiu o jornal “A NAÇÃO”, em Uruguaiana. Este Jornal era de oposição e, a partir deste momento, passou a militar nas fileiras do Partido Federalista.
..........Já em 1920 atuou na vida político-partidária, ao lado da Aliança Libertadora, sob a liderança de Assis Brasil.
..........Em 02 de junho do ano de 1922 fundou em Uruguaiana a Policlínica Médica, com atendimento gratuito aos pobres, com horário de atenção das 09:00 às 18:00 horas.
..........Em 16 de junho de 1923, assumiu a Chefia do Estado-Maior da Coluna Revolucionária sob o comando do General Honório Lemes, cargo que ocupou até o fim da Revolução, em 07/11/23, cabendo-lhe assinar, em Pedras Altas, a Ata de Pacificação de 14/12/1923, como representante daquela coluna.
..........Em 01 de junho de 1924 é conduzido diretamente para a Câmara Federal, eleito que foi, em maio daquele ano, pela Aliança Libertadora representando o Estado do Rio Grande do Sul, exercendo este cargo até 31/12/1926, identificado como o porta-voz da Coluna Prestes na Câmara dos Deputados, de 1924 a 1927.
Em 03 de março de 1927 novamente toma posse na Câmara dos Deputados, eleito Deputado pelo Partido Libertador, exercendo o cargo até o dia 23/10/1930, sendo que, antes disso, em junho de 1929, passa a ser integrante da Frente Única.
..........Em 03/10/1930, sempre na oposição, deflagra a Revolução em Uruguaiana, investido no comando das tropas de linha e civis, tendo sido designado por Góis Monteiro, e participa da Campanha Revolucionária, percorrendo o norte do Brasil, como representante ativo da Aliança Liberal.
..........Em outubro de 1930, parte para São Paulo, comandando o destacamento Baptista Lusardo, com a missão de enfrentar as tropas paulistas em Itararé.
..........No Rio de Janeiro, foi o primeiro Chefe de Polícia do Distrito Federal, nomeado em 04/11/1930 por Governo Getúlio Vargas, deixando o cargo em 04 de março de 1932, devido ao ataque contra o “Diário Carioca”, jornal que o combatia duramente.
..........Em junho de 1932 tenta sublevar o Rio Grande do Sul, com o Dr. Borges, em apoio aos paulistas, fato que motiva o seu exílio para Buenos Aires (Argentina) em 23/09/1932, de onde só retornará em abril de 1934.
Depois acompanhou as determinações de seu Partido, em favor da reconstitucionalização do país. Abandonou as fileiras do situacionismo no mesmo dia em que também renunciam Maurício Cardoso, Lindolfo Collor, João Neves da Fontoura, Barros Cassal e outros indo para o exílio, a maior parte do qual, passado na Europa.
Volta ao Brasil em 1935, quando da anistia política.
..........Neste mesmo ano, em 03/05, retornou à Câmara Federal, eleito pelo Partido Libertador merecendo do povo de sua terra uma eleição consagradora, pois foi o mais votado em todo o estado, permanecendo no legislativo até o dia 09/11/1937. Antes disto é nomeado, em 22/10/1937, Embaixador do Brasil no Uruguai, apresentando credenciais no dia 23/12/1937, permanecendo no cargo até maio de 1945.
..........Naquele país tomou uma série de medidas: compra uma nova casa para a Missão e, nos seus terrenos, constrói uma Chancelaria modelo; anima a aquisição do Palácio Brasil, onde estão instaladas, ainda hoje, todas as representações brasileiras em exercício na capital uruguaia; promoveu inúmeros Convênios Comerciais para cimentar a amizade brasileiro-uruguaia, valendo citar o barateamento das tarifas telegráficas entre ambos os países; patrocina a criação do Banco do Brasil, em Montevidéu; consegue ver realizada a sua idéia do trem internacional; ergueu o monumento a Mauá, em Montevidéu; percorreu o Uruguai inteiro e freqüentou toda a sua imprensa, para dar a conhecer as coisas do Brasil; inaugurou a ponte aérea da Varig, entre o Brasil e o Uruguai; inaugurou a ponte sobre o Arroio Chuí; fez o Parque Internacional Rivera-Livramento; ativa o intercâmbio universitário de professores uruguaios e brasileiros; realiza a primeira das exposições de livros do Brasil; cria o Instituto de Cultura Uruguaio-Brasileiro, verdadeira mostra de suas atividades e, ainda hoje, motivo de orgulho para o Itamaraty.
..........O excelente trabalho desenvolvido em Montevidéu, propiciando maior entendimento político e comercial entre o Brasil e o Uruguai, o credencia a representar o Brasil na Argentina.
..........Foi nomeado Embaixador do Brasil na Argentina em 10/05/1945, apresentando credenciais em 20/05/1945, permanecendo nesta representação até 20 de outubro do mesmo ano, quando da destituição de Getúlio Vargas da Presidência da República.
..........Em outubro de 1945 é eleito Deputado Federal, tomando posse em 05/02/1946, representando o partido do Presidente destituído, participando da Assembléia Nacional Constituinte e licenciando-se em 07/05/1946.
..........Em 18 de maio de 1946 retornou a Buenos Aires (Argentina), chefiando outra vez a Representação Diplomática Brasileira ali acreditada, permanecendo até 06/02/1947.
..........Cessadas as suas funções diplomáticas, a 31 de janeiro de 1947, regressa ao exercício de seu mandato na Câmara dos Deputados, em 14/03/1947, concluindo seu mandato a 31 de dezembro do ano em curso.
Em 24/08/1951 é nomeado, pela terceira vez, como Embaixador do Brasil na Argentina, assumindo o cargo em Buenos Aires no dia 26 de agosto de 1951, permanecendo no cargo até 30 de outubro de 1953. A aproximação cultural e o melhor relacionamento econômico, foi a chave da diplomacia buscada por Lusardo, em todas as vezes que representou o Brasil no Prata.
..........Em 29 de julho de 1954, assume a Presidência da Caixa Econômica Federal no Rio de Janeiro. Como Presidente, passa a dirigir a Carteira de Consignações da Caixa Econômica, a partir de outubro deste mesmo ano, nela permanecendo até o encerramento de seu mandato, a 28 de julho de 1959.
Em 11/06/1960, João Batista Lusardo é indicado pelo PSD para fazer a campanha de Teixeira Lott. Não havia meio de impedir a vitória de Jânio Quadros que, em 03 de outubro recebeu 43,5%, Ricardo Lott 28% e Ademar 23% dos votos.
..........Após deixar a vida político-partidária Lusardo aumentou o grau de interesse pela terra natal, tendo participado de inúmeros movimentos reivindicatórios. Junto aos produtores de carne, arroz, estimulando a criação de novos centros culturais de formação e aperfeiçoamento de recursos humanos, tendo sido idealizador de Cooperativas de Lãs e Carnes, em 1945, passando a acompanhar e participar destas Instituições rurais ao longo de sua vida.
..........Foi um dos responsáveis pela implantação do Lanifício da Cooperativa de Lãs Vale do Uruguai, pela construção da Ponte Internacional “Rio Quaraí”, entre Barra do Quaraí e Bella Unión (1976) e pela criação da Faculdade de Zootecnia em Uruguaiana, em 1968, cujo Diretório Acadêmico leva seu nome.
Faleceu no dia 1º de janeiro de 1982, em Porto Alegre.
..........Seu nome, lembrado sob diferentes formas, valoriza o homem público dedicado e o cidadão merecedor dos diversos e dignos adjetivos. É conhecido nesta terra como o “último caudilho”, cuja causa ainda alimenta nossos espíritos, particularmente quando a integração entre os países do Mercosul é cada vez mais crescente, beneficiando particularmente as comunidades de fronteira.
..........Em nosso Município, sua lembrança está na denominação da sede do Executivo como “Palácio Municipal Embaixador Dr. João Baptista Lusardo” e no slogan constante em todos os documentos oficiais: “Barra do Quaraí – Fronteira “Sin Fronteras”, de acordo com a Lei Municipal nº 535/2002, de 10/07/2002.
Dentro das comemorações do cinqüentenário da morte do Presidente Getúlio Dornelles Vargas, foi inaugurado o Memorial Embaixador Dr. João Baptista Lusardo, de acordo com a Lei Municipal nº 675/2004, de 18/06/2004, constando de dispositivo instalado no hall do Palácio Sede do Executivo Municipal. A sua biografia, incluída nos programas curriculares das escolas sediadas na Barra do Quaraí, visa divulgar sua vida, obra e idéias.
Fonte:
História Político-Administrativa da Barra do Quaraí. Hamilton Santos Rodrigues. Itaqui, RS. NOVIGRAF. 2005.
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